domingo, 31 de agosto de 2008

Morreu aos 60 anos, no Rio de Janeiro, o ex-zagueiro Moisés Mathias de Andrade.

Chamado carinhosamente de “xerife” pelas torcidas dos times em que atuou. Conhecido por sua personalidade forte e pelo estilo de jogo duro, certa vez Moisés teria dito que “beque que se preze não ganha o Belfort Duarte”, em referência a um prêmio oferecido aos jogadores mais disciplinados.

Após encerrar a carreira de jogador, Moisés trabalhou como treinador e chegou a levar o Bangu à final do Campeonato Brasileiro de 1985, sendo derrotado pelo Coritiba.Moisés Mathias de Andrade, o Moisés, foi zagueiro de Vasco, Bonsucesso, Botafogo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Portuguesa (SP) e Bangu, entre o final da década de 1960 e o início da de 1980.
Durante toda a carreira, Moisés cultivou a fama de zagueiro mau, violento e o apelido de Xerife. Tudo começou em um Vasco x Botafogo, em 1971, em que ele, ainda emprestado pelo Botafogo ao Vasco, quebrou a perna de Jairzinho. “Eu não entrei para machucar, não faria isso nunca”, defendeu-se na época Moisés. “Ele é um cavalo dentro de campo e uma moça fora dele”, acusou Jair.
Moisés foi campeão carioca em 1970 e brasileiro em 1974 pelo Vasco. No Rio, teve passagens também pelo Bonsucesso, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Bangu, onde encerrou a carreira de jogador e começou a de técnico.
Conta a Historia que
Fora de campo, a paixão de Moisés era outro esporte, a pesca submarina. Gostava de contar que, certa vez, um tubarão “tirou o time de campo” ao perceber que sua possível vítima era o zagueirão... E foi por causa da saudade dessas pescarias semanais na Barra da Tijuca que Moisés forçou sua transferência para o Flamengo, em 1978.
Para convencer Vicente Matheus a liberá-lo, Moisés passou a ir todos os dias ao gabinete do presidente corintiano com roupa surrada e barba por fazer. Esfregou cebola nos olhos para chorar, engessou a perna, mostrou até papéis fajutos do INSS. E afinal conseguiu a liberação.
Este colunista lembra que em uma tarde de sábado do ano de 1985, estava no Maracanã para transmitir pela Rádio Blumenau o jogo entre Vasco X Flamengo, pelo Campeonato Carioca e tive a oportunidade de sentar ao lado do Moises, na tribuna de honra do Maracanã. Nesta época já fora dos campos, mas como treinador do Bangu, Moises, me falava de sua fama de Xerife, porem com uma simplicidade que se percebia em seu olhar perdido no gramado do estádio Mario Filho(Maracanã ) lembrando historias de sua vida. Mostrava-se calmo e muito gentil querendo que falássemos da nossa Blumenau e eu querendo saber mais da sua carreira, afinal eu estava ao lado de um jogador emblemático, que tinha toda uma historia no futebol.
Ah! E só para aqueles que costumam dizer que a vezes quem escreve fala inverdades, como testemunha eu tinha a minha direita do estádio a imagem do Cristo Redentor, do outro lado Regis Cardoso, diretor de novelas da Globo, mais Rosa Maria Murtinho, Isabela Escalabrine repórter global e o querido Léo Batista, que inclusive falou no nosso microfone, tinha a meu lado, nesta tarde inesquecível, o querido Jorge Aragão nosso narrador na época.
São historias que conto porque vivi.

Obs.
Três dias depois da morte do ex-zagueiro Moisés, faleceu mais um titular do Vasco na conquista do Campeonato Brasileiro de 1974. Na noite desta sexta-feira, morreu no Rio de Janeiro o ex-meio-campista Alcir Portela, 64 anos, vítima de câncer de próstata.