Fonte: Abril.ComParte de um gasoduto próximo à localidade de Palmar Grande, no departamento de Tarija, sul da Bolívia, explodiu nesta quarta-feira (10) após um atentado.
O fato vai causar redução de 10% na exportação de gás natural para o Brasil, informou a empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).
Segundo o presidente da empresa, Santos Ramírez, o atentado causou, "até este momento", a queda nos envios de gás ao Brasil de cerca de 30 milhões a 27 milhões de metros cúbicos diários e gerará à Bolívia perdas de US$ 8 milhões ao dia.
Uma fonte do setor petrolífero privado confirmou à agência de notícias Efe que na madrugada houve uma "explosão" na válvula de um gasoduto do sul do país que afetou parcialmente os envios ao Brasil, dano que será avaliado completamente nas próximas horas. Os destroços foram produzidos em um tubo de 32 polegadas entre os campos San Alberto e San Antonio, de onde sai grande parte do gás consumido por São Paulo, o maior mercado do gás boliviano.
Ramírez acrescentou que o atentado custará ao Estado boliviano US$ 100 milhões pelo conserto, que demorará entre 15 e 20 dias e pelas multas que deve pagar ao Brasil pelo corte dos envios.
Também assegurou que estas despesas devem ser cobertas pelo orçamento das Prefeituras e dos comitês cívicos opositores que, no sul do país, mantêm uma onda de protestos contra o Governo há mais de duas semanas.
Também assegurou que estas despesas devem ser cobertas pelo orçamento das Prefeituras e dos comitês cívicos opositores que, no sul do país, mantêm uma onda de protestos contra o Governo há mais de duas semanas.
O presidente da YPFB acusou, em entrevista coletiva no Palácio de Governo, grupos de "paramilitares, fascistas e terroristas", supostamente organizados por forças opositoras que geraram uma onda de protestos sociais no leste e sul do país, de serem responsáveis pelo atentado.
No Brasil, o Ministério das Minas e Energia informou que até a tarde desta quarta-feira (10) ainda não havia notado redução no fluxo de gás para o país. Segundo a assessoria do ministério, técnicos que estão acompanhando a questão não confirmaram, por ora, alteração no volume de cerca de 31 milhões de metros cúbicos que o Brasil recebe diariamente.
A Comgás, maior distribuidora de gás natural do Brasil, também informou que o fornecimento da Bolívia está normal até o momento. A empresa, que atua no Estado de São Paulo, recebe cerca de 650 mil metros cúbicos diários do combustível da Bolívia.
Opositores negam autoria do atentadoO presidente do Comitê Civico de Tarija, Reinaldo Bayard, negou que os manifestantes tenham explodido o gasoduto. "Não fomos nós. Foi coisa do governo para nos responsabilizar", afirmou.
Bayard passou a noite em outra ocupação, na usina de Vuelta Grande, no caminho para a Argentina, onde é armazenado o gás que é enviado para o Brasil e o mercado argentino.Entenda a crise na BolíviaOs grupos opositores dos departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija - região que concentra 85% das reservas de gás do país - pedem ao presidente boliviano, Evo Morales, que devolva a receita petrolífera que foi cortada em janeiro.
Além disso, no sul da Bolívia, grupos radicais deste movimento também ocuparam na madrugada desta quarta, perto da localidade de Villamontes, uma fábrica de envasilhamento de gás liqüefeito de petróleo em bujões.
Os grupos opositores, entre eles uma pessoa disfarçada de militar, atacaram dois soldados que guardavam o local, os desarmaram e invadiram a instalação para causar a suspensão de suas atividades, mostraram os canais de televisão.
O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, anunciou que, a partir de hoje, será disponibilizada uma "maior presença" militar nas instalações petrolíferas para evitar "os atentados criminosos" nessa região produtora de hidrocarbonetos. Também disse que os atentados e a onda de protestos da oposição buscam "sepultar a nacionalização" decretada por Morales em 2006, "levar pela frente o Governo e derrubar a democracia