
Artigo assinado pelo deputado Jean Kuhlmann sobre a possibilidade da volta dos "pardais" nas rodovias
Novamente inicia-se a discussão sobre a utilização, via Assembléia Legislativa, do uso de equipamentos fotossensores nas rodovias estaduais – os chamados “pardais”. Este é um debate que merece nossa reflexão para um posicionamento firme e responsável. Não basta ser a favor ou contra. Há de se explicar o porquê das posições tomadas.
A história não é nova. Esses pardais já foram utilizados em nossas rodovias e foram banidos em 2002, após aprovação da lei n. 12.142 pela AL, proposta pelo então deputado estadual Paulinho Bornhausen. Já naquela época, alertava-se para a falta de efetividade desses equipamentos na luta contra os acidentes e as mortes nas rodovias sob a administração do estado catarinense.
Agora é levantada a hipótese do número de acidentes com vítimas ter aumentado sem os pardais. Porém, ninguém aborda o incrível crescimento da frota de veículos nesses últimos cinco anos, que transitam pelas mesmas estradas, causa única do aumento dos acidentes. Mais veículos nas mesmas estradas, mais acidentes.
Se os pardais, escondidos que ficam por detrás de árvores, placas ou curvas, não servem para fazer com que diminuam os acidentes nas rodovias e não se constituem em equipamentos que proporcionem mais segurança a uma determinada comunidade, a um determinado grupo de pessoas que residam à beira de uma estrada asfaltada, servem exatamente para quê? Para angariar recursos para os cofres públicos e para as empresas que o operam.
É certo que penalizam um infrator, alguém que está com velocidade acima daquela permitida na rodovia. Mas a penalidade sem um trabalho de conscientização, apenas retira os recursos do já combalido povo brasileiro que paga tantos e tantos impostos, taxas e tributos sem o devido retorno.
Se não servem para diminuir acidentes nem mortes, como os números comprovam; se não servem para dar segurança às comunidades de pedestres que vivem às margens da rodovia; se não servem para colaborar na conscientização dos motoristas quanto à velocidade a ser empreendida, os pardais são apenas um coletor de multas, escondido, à espreita, tratando cidadãos como se bandidos fossem.
Para prestar um serviço realmente importante à população, são implantadas as lombadas eletrônicas: visíveis, sinalizadas, colocadas em locais necessários devido ao fluxo de pessoas (pedestres e veículos) e que comunicam ao motorista, no momento da infração, o erro cometido – o que ajuda na conscientização deste para a necessidade de obedecer a velocidade permitida.
Para os demais locais, existem os valorosos policiais rodoviários que também agem às claras, parando, conscientizando e notificando o motorista, caso seja necessário. O que não podemos é permitir atitudes às escondidas, que não protegem ninguém e servem apenas como caça-níqueis a penalizar o cidadão catarinense.