Mat: HAGFoto: Arquivo
Confesso que quando me coloquei diante do computador para escrever sobre a enchente de 83, estes momentos catastróficos vividos por toda comunidade e que acompanhamos dia após dia, me sinto levado por lembranças talvez mais terríveis passados em minha vida, mas escrevo pela necessidade de relembrar a historia de um povo atingido pelas águas, ricos e pobres sentindo na pele as mesmas dificuldades.
E qual foi o meu papel nesta situação? Bem como locutor da rádio Blumenau hoje Bandeirantes, a única radio que permaneceu no ar durante a enchente pois infelizmente as demais foram atingidas pelas águas, tinhamos como parte desta comunidade, o dever de servir de elo entre o povo e suas necessidades, que alias era de tudo um pouco, não fui herói, nem me sinto assim, pois estava cumprindo com meu deve, de ajudar quem precisava de orientação. E como foram dias dificieis aqueles, momentos de verdadeiro stress em que o povo pedia ajuda e não tínhamos como ajudar, vivemos um verdadeiro clima de batalha pela vida.
Lembrando que tinha ao meu lado mais 11 colegas na improvisada Rádio Blumenau, montada na varanda da casa do seu Arno Correia e sua esposa dona Norma que nos acolheram com um carinho especial, naqueles dias em que as nuvens do céu do Vale do Itajaí se desprenderam e se transformaram se em chuvas, serviu também apesar dos prejuízos materiais e humanos, para unir ainda mais este povo que hoje é formado por uma miscigenação de raças e que conseguem viver em harmonia.
Nestes 25 anos após a enchente, estão vivos em minha memória todos os nomes de entidades e pessoas que prestaram apoio à comunidade em uma época em que a comunicação era mais difícil até porque não havia a facilidade do celular, os rádios amadores sim contribuíram de forma importantíssima na ajuda dos necessitados durante a enchente, poderia citar nomes dos que estiveram presentes nestes dias de calamidade em nossa cidade, mas prefiro lembrar que o livro SOS Enchente um Vale pede Socorro, escrito pelo saudoso Cel. Antonio Bascherotto Barreto, traz todos os nomes de pessoas e entidades que auxiliaram nesta enchente de 1983, lembrando que o pico máximo foi no dia 9 de julho: 15 metros e 30 centímetros. 25 anos depois e com a graça de Deus a vida segue... 

Foto e Fonte: Susi Padilha -Ag.RBS




