Matéria recebida do Sistema FIESC - Imprensa
O investimento industrial previsto para o setor de petróleo e gás entre 2009-2012 é de R$ 450 bilhões.
O valor corresponde a 60% do total do período. Quando os dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incluem o orçamento previsto para infraestrutura o resultado é ainda mais expressivo: R$ 589 bilhões.
O pré-sal trará contribuições efetivas a este cenário bilionário (U$ 45 bilhões até 2013) e com ele, muitas oportunidades e riscos. Este foi o tema da palestra de Eloi Fernández y Fernández, diretor geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), na reunião do Conselho Temático Permanente de Política Industrial e Desenvolvimento Tecnológico (COPIN), da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O conselho reuniu nesta quarta-feira, líderes de associações setoriais da indústria no recém inaugurado escritório da CNI, em São Paulo.
"O fato de o petróleo corresponder a 35% do total dos investimentos industriais em infraestrutura revela que o Brasil não pode ter uma política industrial voltada apenas para este setor. Isso é não sustentável.
Porque se o petróleo está fazendo hoje encomendas desta natureza, certamente no futuro não estará. E precisamos nos preparar para atender e fornecer diferentes segmentos da economia", alertou o líder da ONIP, associação que mantém cadastro com quase duas mil empresas compradoras e vendedoras de petróleo.
Segundo o especialista, há inegáveis vantagens com a descoberta da "nova província", como aumento das oportunidades locais, parcerias internacionais e ampliação de encomendas industriais.
Para ele, há de se ater aos desafios tecnológicos e estruturais. E mais: aos pontos críticos, para que a indústria nacional possa atender a nova demanda: falta de capital de giro, peso do sistema tributário, indefinições no marco regulatório e a complexidade do sistema de regulação, fiscalização e controle dos órgãos da União sobre a atividade econômica, gerando incertezas, atrasos e aumento de custos.
E até a limitação da engenharia nacional. "Temos que fortalecer esta formação científica. Sem engenharia não vamos dar sustentabilidade às ações de qualquer outra cadeia de suprimentos", completou.
O presidente do COPIN, Alcantaro Corrêa, que também preside a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), reconheceu nos alertas oportunidades de alinhamento a programas já desenvolvidos pela CNI, como o Inova Engenharia. "Não está na hora de criar um curso superior na área de engenharia naval para este setor do petróleo, que responde hoje por 10% do Produto Interno Bruto do Brasil?", perguntou.
José Augusto Fernandes, diretor-executivo da CNI, reforçou a posição de Corrêa, e explicou que a construção de uma política industrial integra a lista de prioridades do setor. Segundo ele, os obstáculos observados pela ONIP são gargalos históricos, que afetam a indústria como um todo. O desafio é entender qual o divisor entre políticas específicas para o setor e de caráter geral.
Hoje todas as empresas se defrontam com um sistema de tributação sobre o investimento, por créditos acumulados e outros fatores. Como tratar um tema desta natureza", questionou o líder empresarial.
A ONIP contratou uma consultoria internacional para realizar um levantamento sobre estrutura de formação de preços e fatores de não competitividade no setor de petróleo e gás.
A abordagem será finalizada em fevereiro de 2010 e deverá ser compartilhada com a CNI.