Fotos: Crédito Cristiano Carlos Baifus
A ausência do secretário Ronaldo Benedet na audiência pública sobre segurança pública realizada ontem pela Câmara Municipal, causou frustração nos participantes e foi duramente criticada.

O autor JOVINO CARDOSO NETO (DEM) considerou “falta de respeito com a cidade” ao mostrar o protocolo do convite que entregou dia 10 de junho no gabinete do secretário em Florianópolis. O vereador manifestou indignação e disse que a saída é promover manifestações populares. Também anunciou a apresentação de requerimento na sessão de amanhã (dia 23), pedindo a formação de uma Comissão Especial Temporária, para acompanhar e propor políticas voltadas a melhoria do setor.

Para o presidente da CDL, Marcelino Campos, não há surpresa no ato do Secretário. “Ele tem demonstrado que a tônica das suas ações é realmente o descaso com Blumenau.
Tenho certeza de que no sul do Estado a demanda não é a que temos aqui”. O dirigente sugeriu a união da sociedade para cobrar dos políticos ações de eficácia. “Não é possível conviver com o aumento da criminalidade”, salientou.
Ele citou que desde a última visita do Secretário ao município, há um mês, o estabelecimento que possui sofreu sete incidências de arrombamento e furto. ”Como cidadão comerciante tive prejuízos que passam de R$ 100 mil”, protestou.
Mesmo sem a presença da autoridade máxima do Estado, o tema não deixou de ser discutido e o presidente da CDL apontou que não adianta cobrar da policia e ela dizer que o problema está no Ministério Público. “Temos que exigir a criação de uma penitenciária que dê condições, pois às vezes os meliantes nem chegam a ser presos”, observou.
Os representantes das forças de segurança aproveitaram para apontar os números alcançados apesar do baixo efetivo.

O Delegado Henrique Stodieck Neto, da Policia Civil mostrou o trabalho desenvolvido com o apoio da força tarefa deslocada para o município. Durante a operação, que envolveu profissionais de outras regiões, foram registrados 18 cumprimentos de mandado de prisão, 16 prisões em flagrante, 15 interdições de bares sem alvará e 53 apreensões de máquinas caça-níqueis. Além disso, mencionou que até esta manhã foram registrados 190 flagrantes em Blumenau, 43 deles pela Polícia Civil.
Segundo o policial, “os números revelam que, mesmo com o efetivo reduzido, as polícias Militar e Civil estão desempenhando bem o seu trabalho”.

O Capitão da Policia Militar, Reginaldo Rocha de Sousa considerou que “segurança Pública afeta todos e é um processo complexo, pois não envolve apenas a construção de cadeias ou aumento de efetivo, mas ações sociais”.
Sousa enumerou ações que a PM vem desenvolvendo para coibir a criminalidade como: readequação das escalas, policiamento comunitário, operações em pontos da cidade de acordo com a demanda dos locais, programas de prevenção, como o Programa Educacional de resistência às drogas.
Não temos foto do capitão Inacio Kugiki dos Bombeiros
O capitão Inácio Kugiki subcomandante do Corpo de Bombeiros, lembrou que a sua corporação também é integrante da segurança publica, no momento em que atende acidentes, enchentes e outros eventos da natureza. E reclamou: “Nós também vemos nossas demandas crescendo. Aos poucos estamos recompondo nosso efetivo, que ainda não é suficiente”, argumentou.

O diretor de núcleos da ACIB Associação Empresarial de Blumenau Avelino Lombardi, pregou que a cidade merece atenção maior do poder público. “Blumenau tem sido preterida, em relação a outras cidades, apesar de reivindicar com veemência o aumento de efetivo”, ponderou. Para ele “a policia civil, policia militar e corpo de bombeiros, que conseguido fazer verdadeiros milagres, com o contingente disponível”. Citou a importância da iniciativa da Câmara e disse que a ACIB está sempre disposta a contribuir.
A falta de uma legislação rígida na punição de criminosos é uma das principais causas do aumento da criminalidade, segundo Haroldo Neitzke que representou a Associação dos Micro e Pequenos Empresários (Ampe). Ele afirmou que a instituição reconhece o trabalho dos policiais, mas lamentou o fato de muitos crimes passarem impunes.

Representantes da comunidade apresentaram questionamentos e sugestões aos convidados, especialmente aos representantes da Policia Militar e Policia Civil.
Melhorar as condições do presídio regional, criar programas de recuperação de presos, qualificar e valorizar os profissionais do setor, aumentar o efetivo, aumento da criminalidade e mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente foram alguns itens apontados.
Respostas:
Sobre quantidade e qualidade dos policiais, o Capitão Reginaldo Rocha de Sousa, disse que a PM está preocupada em qualificar o profissional e contou que todo ano é feita uma revitalização. “A quantidade não resolve se não houver qualidade e buscamos cada vez mais a valorização do policial, para que cada vez produza mais”, citou. Ele também comentou que estão sendo realizados contatos com a comunidade em locais como Postos de Combustíveis, Padarias, o que geralmente é um trabalho difícil, segundo Rocha. “Qualidade é nossa grande meta na Polícia Militar”.
Quanto ao aumento da criminalidade e a falta de infraestrutura, Rocha voltou a defender investimento em segurança e políticas sociais. “Se o Estado falta numa comunidade, alguém ocupará o espaço”, observou. Ele declarou que hoje com o crescimento da “região das itoupavas” há mais ocorrências naquela área, por isso é necessário atenção.
Ao lembrar que “a polícia joga responsabilidade para comunidade para que faça ações dentro de sua competência”, o capitão informou que de janeiro a junho a PM recebeu 66 mil ligações e dessas 3 mil eram perturbação do trabalho e sossego alheio.
Em sua opinião “isso é falta de educação da comunidade”. Rocha também comunicou que dentro do Proerd, a Polícia Militar tentou promover encontros direcionados aos pais, mas eles não compareceram por falta de interesse.
Ainda disse que o armamento é uma responsabilidade da Policia Militar, e por isso continuam fazendo barreiras e abordagens. E sobre a falta de sargentos em algumas regiões ele justificou que diversos estão prestes a se aposentar, por isso há rodízio e algumas regiões com deficiência.
O subcomandante dos bombeiros capitão Inácio Kugiki, que também atuou na PM, disse que há um sentimento generalizado de impunidade. “Se for ouvida a comunidade nos bairros, vamos sentir isso, e embora não possamos mudar a legislação no município, podemos influenciar para que seja mudada”, declarou.
Ao comentar sobre a redução da maioridade penal, opinou que “se a comunidade for ouvida, ela é favorável a um endurecimento na legislação”. Ele também sugeriu a criação de incentivo ao município que receber a construção de um presídio.
Em relação ao Bombeiro Comunitário, esclareceu que é um programa para capacitar a comunidade em geral, a atuar em grandes eventos climáticos. Em Santa Catarina é um sucesso, mas não supre a necessidade do bombeiro oficial do Estado.
Em resposta às perguntas da comunidade presente, o delegado Henrique Stodieck esclareceu que muitos profissionais prestam concurso em Blumenau, pela relação de candidato/vaga ser menor, mas acabam se transferindo de volta para a sua cidade de origem.
Ele ainda defendeu que os policiais se sentem frustrados, pois acredita que a legislação protege os criminosos.
Em nome da Sindilojas, Acib e CDL o presidente da CDL, Marcelino Campos, respondeu aos Conseg’s que as entidades estão unificadas para realizar ações para o bem da comunidade e auxiliar o andamento dos projetos dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública.
Opinião dos vereadores:
Durante sua intervenção o democrata FÁBIO FIEDLER reforçou o sentimento de insegurança dos blumenauenses. Ele aproveitou para defender seu projeto que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em parques e praças públicas.
Na visão de Fiedler, é necessário cobrar das outras esferas de poder medidas que ampliem o efetivo policial no município. O vereador afirmou que esta é uma ótima oportunidade para que a Câmara coloque a segurança como medida prioritária para Blumenau. Ainda defendeu a instalação de um presídio empresarial. Por fim, sugeriu que as imagens das câmeras de segurança transmitam imagens para todos os computadores, através da internet.
“Eu tinha certeza de que Ronaldo Benedet não viria, porque da última vez que ele veio aqui eu o deixei numa saia justa”, afirmou o vereador ZECA BOMBEIRO (PDT) que questionou as promessas do secretário sobre aumento de efetivo e estrutura.
Ele defendeu que o cargo de secretário de segurança público deve ser ocupado de forma técnica, e não política. Por fim, indagou por que Florianópolis conta com um policial para cada 380 habitantes, enquanto Blumenau dispõe de apenas um profissional para cada 1.320 habitantes.
A falta do Secretário de Segurança Pública do Estado, Ronaldo Benedet, de acordo com o vereador ANTÔNIO JOÃO VENEZA (DEM) é lamentável para o município. “Nós legisladores sempre utilizamos a tribuna para falar em Segurança Pública e é lamentável que nada seja feito. O povo de Blumenau merece mais atenção e mais respeito, pois já ultrapassamos 305 mil habitantes”, afirmou.
Entre as propostas citadas pelo vereador para melhoria do setor, estão: aumento do efetivo, colocação de barreiras nas principais entradas da cidade, reajuste do salário dos policiais militar e civil, contribuição financeira da Secretaria do Estado de Segurança para os Conseg’s do município.
O motivo da falta de policiamento foi atribuído pelo vereador JOÃO JOSÉ MARÇAL (PP) a falta de recursos para investir nesta área. Para ele, ninguém quer pagar pela segurança pública. Além disso, defendeu que a questão da violência só será erradicada se começar a conscientização de cada um. Marçal ainda criticou o fato de a sociedade ter perdido os valores da disciplina: “É muito mais fácil vir pra cá crucificar as polícias militar e civil. Entendo que só pode haver uma solução, e é junto ao comandante do estado de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira”.
Um documento oficial da Câmara Municipal manifestando repúdio ao Secretário de Segurança Pública do Estado, Ronaldo Benedet, por não ter comparecido, sem ter sequer respondido ao convite, foi proposto pelo vereador NAPOLEÃO BERNARDES (PSDB). “Virar as costas a um convite da Câmara Municipal é virar as costa à nossa cidade”, assinalou.
Ele também sugeriu no documento que a força tarefa realizada pela polícia civil em Blumenau tenha caráter permanente; que a Secretaria do Estado da Segurança Pública responda oficialmente e divulgue em seu portal da Internet: qual a relação do número de policiais civis, militares e bombeiros por região de Santa Catarina e a relação por número de habitantes de cada uma das cidades catarinenses.
Também constará no documento a solicitação de que Santa Catarina desenvolva uma política penitenciária efetiva com condições de trabalho e estudo para os apenados. E requerendo a formulação de uma política pública de readequação urgente com critérios objetivos sobre a política de destinação de policiais por região.
Destacou também que Blumenau deve cobrar uma análise urgente em relação à proposta da guarda municipal e de trânsito na cidade. “Isso para que possamos com esta medida buscar recursos junto ao governo federal”, disse.
E sugeriu a criação de Fórum Permanente ligando todos os setores de segurança, os Conseg’s e a sociedade, para otimizar os recursos hoje disponíveis. Napoleão também defendeu a educação dos valores que se dá através do exemplo. “A prevenção tem que ser palavra de ordem em segurança pública, pois a repressão não coíbe o ato criminoso”, apontou.
O vereador JOVINO CARDOSO NETO (DEM) lamentou a ausência de algumas autoridades, que enviaram representantes, mas principalmente do secretário Ronaldo Benedet. “É um descaso da nossa autoridade maior da segurança, remunerada com dinheiro do contribuinte, que sequer enviou representante. Isso nos deixa indignado, pois esperávamos uma resposta e como não veio, devemos partir para manifestações populares”, prometeu.
Ao comentar a atuação da Força Tarefa enviada pelo governo do Estado, Jovino lembrou que em 2005, foi feita a mesma coisa, com visita a estabelecimentos comerciais, ferros velhos, bares e barreiras de trânsito. “Entretanto, onde há o verdadeiro problema da sociedade, não vejo a atuação da força tarefa, pois a maioria das pessoas abordadas é de adolescentes. Não vi nenhum grande traficante, que é o maior problema da cidade, ser preso em Blumenau.
A sociedade pede socorro e o maior problema é o tráfico de drogas, que pode ser encontrado em qualquer esquina”. Ele reforçou apelo para que a Força Tarefa dirija suas ações para a atuação do tráfico, na certeza de que grande parte dos problemas será resolvida.
Em relação ao menor de idade, pregou mudanças na legislação para permitir a entrada no mercado de trabalho, melhorando a renda familiar, deixando a ociosidade e de ser um problema para a sociedade. Ele também acredita que somente com grandes manifestações poderão ser obtidas mudanças.
O vereador voltou a dizer que para cada 230 habitantes de Florianópolis e Joinville há um policial, enquanto em Blumenau, a proporção é de 980 habitantes para um policial militar. Na Policia Civil a situação é ainda pior, pois existem apenas 74 policiais - um policial para mais de 3 mil habitantes. “Não esperávamos que seria necessário ir às ruas, mas não vejo outra saída. Se é desta forma que o secretário quer que façamos, é assim que vamos fazer”, garantiu.