Da Redação do SN- com base em informação da CNI
A estagnação no ritmo de crescimento da produção industrial e a queda na utilização da capacidade instalada (UCI) nas fábricas nos últimos meses, conforme Sondagem Industrial divulgada ontem dia 29/07 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), demonstram que não existem pressões no setor que poderiam levar a um aumento da inflação, avaliou Marcelo Azevedo, analista da entidade. "Os dados mostram que não há descompasso entre oferta e demanda.
A indústria está operando sem pressão na utilização da capacidade instalada e os estoques estão próximos do planejado", afirmou Azevedo.
Para o gerente-executivo de Análise da CNI, Renato da Fonseca, como a produção industrial, apesar de estável, tem conseguido acompanhar o ritmo da demanda, não haveria motivos para um novo aumento na taxa básica de juros. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou em 0,5 ponto porcentual a Selic (taxa básica da economia), para 10,75% ao ano.
"O mecanismo de aumento dos juros é voltado para conter a demanda. Mas o problema é que se acaba afetando muito mais investimento do que consumo, principalmente no que diz respeito às expectativas dos empresários para investimentos futuros", disse Fonseca. "Sem investimentos fica-se preso nessa situação e, quando a economia cresce, precisa aumentar novamente os juros pra conter a demanda", completou.
Segundo a pesquisa divulgada hoje pela CNI, a produção industrial brasileira perdeu ritmo e ficou em 51,8 pontos em junho, ante 54,9 pontos registrados em maio. O indicador varia de zero a 100, sendo que valores acima de 50 pontos indicam crescimento. O uso da capacidade instalada (UCI) ficou abaixo do usual para o mês de junho, situando-se em 48,4 pontos, enquanto em maio havia registrado 50,3 pontos.