A nossa cachaça, patrimônio brasileiro e reconhecida em abril deste ano como produto genuinamente brasileiro pelos Estados Unidos, está, cada vez mais, atraindo fabricantes mundiais de bebidas, que pretendem transformá-la em um dos destilados mais vendidos no mundo, principalmente na Europa e no mercado americano.Recentemente, a britânica Diageo, fabricante do uísque Johnnie Walker e da vodca Smirnoff, comprou por US$ 470 milhões (cerca de R$ 900 milhões), a cearense Ypióca, terceira marca mais vendida no Brasil. Além de fortalecer a marca no país, com ações de marketing, a Diageo pretende exportar a Ypióca e disputar mercado com a tequilla mexicana.
Há algum tempo, a francesa Pernod Ricard, que fabrica as vodcas Absolut e Wiborowa e os uísques Passport, Chivas Regal e Ballantine’s, para citar apenas estas marcas, exporta para 23 países a cachaça Janeiro, fabricada nas antigas instalações da Seagram, em Resende (RJ). A Pernod também fabrica a cachaça São Francisco.
Mais uma da França
Sabe-se que outra multinacional francesa esteve recentemente no Brasil, mas especificamente no Rio de Janeiro, sondando produtores locais para uma possível parceria, atrás de uma marca para exportar para os mercados europeu e americano.
De olho no mercado mundial
Num mercado mundial dominado pelo uísque, pela vodca, pelo rum e pela tequilla, mesmo assim a cachaça tem tudo para brigar por um espaço entre estes destilados.
Num mercado mundial dominado pelo uísque, pela vodca, pelo rum e pela tequilla, mesmo assim a cachaça tem tudo para brigar por um espaço entre estes destilados.
Para João Luis Coutinho de Faria, produtor da Magnífica, considerada uma das melhores produzidas no estado, "nos próximos 10 anos o Brasil tem a obrigação de fazer com que a cachaça tenha uma participação de, no mínimo, U$ 500 milhões no mercado mundial." Hoje, segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), nós exportamos cerca de 10 milhões de litros - menos de 1% da produção brasileira, que é de 1,2 bilhão de litros -, gerando uma receita de US$ 17,3 milhões (dados de 2011).
João Luis acha, ainda, que, considerando o consumo internacional e o consumo num país grande como o Brasil, a cachaça pode vir a ser o terceiro destilado mais vendido do mundo, ultrapassando a tequilla. "Mas uma marca para ser conhecida mundialmente tem que produzir um mínimo de 10 milhões litros; e se exportar 20% por cento disso está de bom tamanho", diz João Luis.
"Para se ter uma ideia desse mercado mundial", diz ele, "a Escócia exporta cerca de 80% da sua produção mundial de uísque, que é de 1 bilhão e litros; já no Brasil, o mercado interno consome 99% da produção de cachaça; comparando com o México, enquanto nós exportamos pouco mais de US$ 17 milhões, a tequilla movimenta mais de US$ milhões no mercado internacional."
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