terça-feira, 4 de outubro de 2011

Bill Clinton está de volta ao trabalho

Durante a eleição presidencial de 2008, a reputação de Bill Clinton sofreu um linchamento. Democratas que haviam ficado a seu lado durante a erupção de escândalos sexuais e ziguezagues políticos passaram a apontá-lo como racista e grosseiro.

Isso se deveu em parte à imprensa, que chegou muito perto de se tornar um coro de améns à campanha de Obama. Isso, porém, se deveu mais a uma sensação generalizada de exaustão para com a ex-primeira família: poucas pessoas gostariam de ver Bill se tornar o Putin para o Medvedev de Hillary.

Como as coisas mudaram! O político regenerado está de volta à tona e pronto para uma revanche. De 30 de setembro a 1o de outubro, Bill Clinton celebra 20 anos do seu anúncio – em Little Rock, Arkansas – de que concorreria à presidência.

Em novembro, a editora Knopf publica o seu novo livro, “Back to Work”, sua segunda incursão literária após sua enorme autobiografia. E a imprensa está prontinha para o festival eulógico. Quanto mais caiu a popularidade de Obama – e ela caiu bastante – mais aumentou a de Clinton. E quanto pior se torna a crise econômica – e ela está se tornando de fato muito grave – mais as pessoas sentem saudade do crescimento estável da década de 90.

Diferentemente do presidente Obama, que parece mais à vontade no campus de uma universidade liberal com a presença de ativistas de minorias, Clinton sabia como atingir a América branca média – aqueles pobres caipiras que ostensivamente apegam-se a armas e Deus.

Obama fala apenas em dois tons – retórica grandiosa (e cada vez mais chata) e celebração fria. Clinton sentia a dor do povo – conseguia botar as mãos sobre os ombros das pessoas e convence-las de serem o centro do universo dele. Mas “Back to Work” nos lembra que há razões ainda mais importantes pelas quais deveríamos sentir saudade do velho rebelde: talvez ele tenha sido indisciplinado, negligente e sórdido, mas ele foi um dos maiores estrategistas políticos a despachar na Casa Branca.

Um das coisas mais surpreendentes sobre a presidência Obama é o seu desinteresse pelas minúcias da política. Clinton trouxe o mesmo apetite à política social que devotava a mulheres vagabundas e junk food.

Como uma espécie de novo democrata, ele entendeu que o liberalismo precisava se reinventar na era da globalização e da tecnologia da informação.

Matéria e imagem enviados ao Sala de Noticias pelo Opinião e Noticias